quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Times gaúchos estreiam na Superliga de vôlei masculino

Voleisul joga nesta quarta-feira e Canoas entra em quadra no sábado

Depois de seis anos, o Rio Grande do Sul volta a ter dois representantes gaúchos na elite da principal competição nacional de vôlei masculino: o Vôlei Canoas, sexto colocado na Superliga 2013/2014, e o Voleisul Paquetá/Esportes, vice-campeão da Superliga B na temporada passada.
Em comum, as duas equipes têm a fundação recente — o Canoas em 2011 e o Voleisul em 2013 —, a ascensão para a elite do vôlei nacional logo na segunda temporada de atividades e a sede em cidades de tradição respeitável no voleibol gaúcho. Em 1995, a Frangosul Ginástica, de Novo Hamburgo, foi o primeiro time do Estado a vencer a Superliga. Anos mais tarde, a Ulbra Canoas se tornou uma das maiores vencedoras da história da competição, com três títulos (1997/1998, 1998/1999 e 2002/2003).

E é com o ginásio da Sociedade Ginástica lotado, como nos velhos tempos, que o Voleisul espera estrear no campeonato na noite desta quarta-feira, contra o Brasil Kirin, sob o comando do ex-levantador Paulo Roese, natural de Novo Hamburgo e campeão pela Frangosul.
— Estou muito ansioso. Meu sonho é recuperar o carinho e o amor que essa comunidade tem por esse esporte. Isso sempre foi o nosso diferencial. Com o ginásio cheio, vai ser muito difícil ganhar da gente — diz Roese.
O Canoas entra em quadra somente no sábado. Joga em casa contra o Maringá, uma das novas forças da Superliga, na avaliação do treinador Marcos Miranda, o Marcão. Assistente técnico da seleção campeã olímpica em Barcelona, em 1992, Marcão estava há duas temporadas à frente do vôlei de praia brasileiro, mas acabou desligado pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) em junho. O técnico já passou pelo Estado em 2008/2009, treinando a Ulbra.
— Voltar a Canoas é também uma oportunidade de voltar ao voleibol indoor, dentro de um projeto para recolocar o vôlei gaúcho em destaque no cenário nacional — diz o treinador.
O desafio é fazer a equipe canoense superar a campanha da última Superliga. Numa análise preliminar das equipes, Marcão já viu que não vai ser fácil. Para ele, o campeonato está ainda mais competitivo este ano:
— Antes você tinha Sada e Sesi com maior poderio técnico, pela condição de trazer jogadores de seleção brasileira, por exemplo. Agora o Taubaté, o Campinas e o Maringá também tiveram um grande investimento e chegam muito fortes.

Foto: Julio Cordeiro/Agência RBS
Voleisul conta com a experiência do levantador Rafinha
A confirmação na Superliga A duas semanas antes da estreia, diante da desistência do Volta Redonda (RJ), encurtou a pré-temporada do Voleisul — a série B, projeto inicial da equipe, começa somente em janeiro. Da base do ano passado, permanecem apenas cinco jogadores, sendo que três deles são juvenis. Entre os destaques do novo grupo está o experiente levantador Rafinha Almeida.
O jogador de 38 anos e 1m80cm tem quatro títulos e dois vice-campeonatos da Superliga no currículo e foi um dos atletas homenageados pela CBV por ter disputado todas as 20 edições da competição — hoje estreia na 21ª. Além da experiência, o técnico Paulo Roese elogia a liderança do atleta dentro de quadra:
— É muito bom ter um jogador como o Rafinha. Ele é um grande líder, sabe os momentos de puxar e de acalmar o time. Isso me dá segurança.
O Voleisul tem pela frente uma sequência de pedreiras: os três primeiros adversários na Superliga são justamente os três primeiros colocados da edição passada. O técnico Paulo Roese reconhece que serão "partidas duríssimas", mas exalta a força do seu elenco.
— Conseguimos montar uma equipe muito coesa, com muita vontade. Acho que a gente vai surpreender bastante e conseguir bons resultados — comenta o treinador, que evita fazer projeções, diz apenas que a equipe hamburguense pode chegar "muito além do que se imagina" na competição.
O primeiro jogoVoleisul x Vôlei Brasil Kirin (SP)
Quarta-feira, 29 de outubro, 19h
Sociedade Ginástica de Novo Hamburgo
Foto: Julio Cordeiro/Agência RBS
Canoas tem Quiroga, um dos melhores ponteiros sul-americanos
Pela terceira temporada consecutiva na elite do vôlei brasileiro, o Canoas vem num crescente desde sua fundação, em 2011, com pronta ascensão à série A do campeonato nacional. Na última Superliga, acabou entre os seis melhores. Para seguir ascendendo, o grupo foi reforçado com nomes de peso, como o central Barth, com passagem pela Seleção de Novos, e o ponteiro argentino Rodrigo Quiroga.
O jogador de 27 anos e 1m94cm, escolhido o melhor ponteiro do Sul-Americano de Vôlei no ano passado, ao lado do brasileiro Lucarelli, é visto pelo treinador Marcão como um jovem talento para qualificar a equipe.
— Quiroga é um grande reforço. Está pela terceira temporada no Brasil, acabou de disputar as duas maiores competições mundiais. É um dos jovens que vem para se entregar ao nosso projeto — define Marcão.
O ponteiro Minuzzi e o líbero Jeff, que já foram treinados por Marcão na época da Ulbra, são dois dos atletas que sustentam a base do Canoas desde a campanha campeã da Superliga B, ao lado do central Gustavo, ex-seleção brasileira, e do oposto cubano Angel Dennis. Durante o campeonato estadual, o treinador testou várias formações para encaixar o time, reforçado também pelo oposto Jardel e os levantadores Renan e Evandro.
— A Superliga é uma competição muito dura. Algumas equipes tiveram ganho significativo de investimento, enquanto o nosso patamar segue no mesmo nível, mas conseguimos manter a base e agregar alguns jogadores para ir mais além — analisa o técnico.
O primeiro jogoVôlei Canoas x Ziober Maringá Vôlei (PR)
Sábado, 1º de novembro, 18h
Ginásio La Salle, em Canoas

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